sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O Passado já passou!

O passado já passou

Hoje eu não vou escrever um poema ou algum pensamento sobre a vida, como no último texto. Eu quero falar sobre um assunto que venho lendo bastante ultimamente e, dialogando com algumas pessoas, muitas se identificaram com a questão a qual quero relatar.
Eu quero simplesmente discorrer sobre nosso amigo John. Eu não vou mencionar o sobrenome dele para que não seja exposto (penso ser desnecessário) ainda mais; depois de tudo que ele passou e ainda continua passando.
Nosso amigo John é uma daquelas pessoas que sempre visa fazer toda e qualquer tarefa com total perfeição. Claro, ele é um humano como outro qualquer, com muitos defeitos, muitas indagações e sempre em busca de repostas e verdades - talvez nem existentes. Ele não é uma pessoa de muita sorte também; precisa de muita persistência para alcançar o que deseja, percorrendo muitos caminhos e percalços. Nada lhe é dado com facilidade. Isso foi algo que sempre ocorreu em sua vida.
Ele sempre enfrentou grandes desafios e responsabilidades no passado. Sofreu constantes preconceitos - por ser “apenas” um jovem - dentre pessoas muito mais velhas e com muita experiência. Mas ele não desistiu, continuou e provou com suas ações e resultados, ser um grande profissional. Ele recebeu merecidas promoções em pouco tempo. Seria tão ruim assim? Aprendeu novos ofícios, trabalhou em funções que em tempo algum havia trabalhado e desempenhou tarefas jamais feitas por ele; mas as fez com grande excelência e perfeição, obtendo resultados de sucesso. Não porque ele era melhor, mas porque ele é e era bastante dedicado em tudo que fazia.
Vamos voltar no tempo e relembrar o ano de 2002. John estava trabalhando em uma grande empresa, a qual todas as pessoas amavam trabalhar e todos estavam felizes com seus cargos, tarefas, atividades, etc. Para ele, era mais um emprego. Na verdade, estava ainda no princípio, pois ele era novo na empresa. Ele havia pensado muito antes de entrar naquela empresa e abrir mão de muitas coisas, como por exemplo ficar longe da família para estar ali, naquele trabalho tão sonhado.
John chegou ao local todo esperançoso. Seria um daqueles trabalhos em que se sentiria útil?  Poderia fazer a diferença? Ele sabia que podia fazer algo diferente e que seria reciproco. No início, tudo foi normal e claro - o novato sempre precisa de relativa adaptação -; e ele estava achando que tudo que estava acontecendo fazia parte da sua adaptação, e foi seguindo com sua vida. Então passaram-se algumas semanas e nada acontecia. A monotonia reinava soberana. Ele foi falar com o líder inúmeras vezes e sempre era visto de forma estranha. Ele buscava simplesmente sentir-se útil, o que até o momento não havia ocorrido.
Em considerável ímpeto de coragem, ele também comunicou a todos, em certa reunião semanal de projetos, que estava à disposição e, caso alguém precisasse de ajuda, ele estaria disposto a ajudar. Seu próprio superior afirmou que confiaria a ele algumas tarefas, já que estava precisando de ajuda. Mas nada aconteceu!
John sempre se questionava: o que estaria acontecendo ali? O que estava fazendo? O problema era ele? Inquieto, buscou ter nova conversa com o líder; novamente nada aconteceu. Seu líder sequer respondia a seus e-mails e, quando procurado pessoalmente, o tratava com desdém – diferentemente de como um verdadeiro líder faria -, que deveria estar ali para apoiar, guiar e dar suporte. Seu próprio comandante sempre dizia que aquele departamento deveria ser como irmãos e se defenderem. Mas a realidade era totalmente diferente. Palavras, simples palavras sem valor, que nunca foram cumpridas.
E John seguiu por ali mais alguns meses para ver se algo mudaria. Ele não queria aceitar a situação sem lutar, por puro comodismo; afinal tinha um trabalho e salário. Ele não era rico, não estava rasgando dinheiro, mas essa situação já havia começado a afetar negativamente sua saúde, com diversos sintomas estranhos. A inutilidade, a certeza de que nada mudaria naquele ambiente (em que pessoas, egoístas, estavam preocupadas simplesmente consigo mesmas) o desanimava ainda mais.
Todavia, podemos voltar no momento em que John foi avaliado pelo seu líder e demais “comandantes” da empresa. A mensagem chegou em um e-mail, solicitando ter uma conversa com o gestor do departamento. Enfim, reunião agendada. Para variar, o líder se atrasou e a reunião começou mais de 30 minutos depois do combinado. A reunião foi tão martirizante e sem lógica que John, desapontado, não conseguiu expressar com todas as palavras sua profunda insatisfação. Apenas concordou com tudo para não ser julgado mais uma vez erroneamente. Ele demorou algumas semanas - ou meses - para se recuperar da destruição causada por tamanha expectativa. Ele acredita ser uma pessoa arrojada, um profissional dedicado e com iniciativa. Com o tempo, ele passou a imaginar que era o pior profissional do mundo e que nada mais feito até ali valia a pena. Estava se sentindo um inútil, um antiprofissional. E ainda pior, estava sendo avaliado pelos líderes como tal - estava sendo avaliado da mesma forma como se sentia. O mundo os vê como realmente somos ou como nos sentimos?
E, como sabemos por sua história, era tudo o contrário. Aquela empresa não estava vendo seu potencial, não estava dando a devida valorização a aquele profissional, que sempre fora tão valorizado por todos os lugares em que passou. Se ele não sabe lidar com criticas? Não veria dessa forma, veria que era uma critica infundada, uma critica baseada em fatos não existentes. Se ele não tinha desafios, responsabilidades, como seria avaliado por isso?
E ainda mais; estava sendo criticado por ser uma pessoa introvertida e que sua avaliação foi prejudicada por este fato. Não era uma pessoa introvertida e sim comprometida. Ele não trabalhava num circo, sequer era um ator ou apresentador. Era um profissional de uma área que não exigia apresentações públicas. Durante anos, o sonho dele era trabalhar naquele seguimento; mas, depois de tanta desilusão, chegou à conclusão de nunca mais querer trabalhar naquele ramo. Aliás, ele decidiu que precisava de uma mudança e voltaria a procurar emprego. O choque foi tão grande que pensou em mudar de função, para que nada pudesse ligá-lo a aqueles momentos vividos naquele lugar.
Ele estava disposto a dizer não. Não a aquela situação. Não a aqueles problemas. Não a aquela humilhação desnecessária. Se ele era tão ruim para a empresa, porque ele deveria estar ali? Nem ele e nem a empresa precisava daquilo. Ele ficou imaginando - como ele passou por tantos lideres da empresa e nenhum constatou que ele era tão ruim profissionalmente?

Você deve estar pensando que ele está sendo muito dramático e deve ser mesmo péssimo profissional, não é mesmo? Mas sabemos que algumas pessoas são mais sensíveis, outras mais calculistas, outras chegam até a suportar humilhações, engolindo tudo sem questionamentos e sequer sentem algo com tudo isso. Várias outras chegam a até mesmo fazerem coisas inimagináveis por um emprego ou cargo, ou mesmo uma promoção. John não era assim; ele não era um dramático, ele simplesmente sentia a vida de forma diferente e queria estar envolvido, queria participar, queria fazer bem feito. Ele queria sentir-se útil naquele mundo no qual ele havia entrado. Ele não queria mais ir para o trabalho como se estivesse indo para a forca ou para um funeral. Sua autoestima estava totalmente abalada. Ele não conseguia progredir, ficou alimentando aquele sentimento de inutilidade e à espera de alguma boa noticia. Então, depois de alguns meses ele recebeu uma notícia boa: estava sendo contratado para outra vaga em outra empresa. Ele tinha ido a uma entrevista e a empresa ficou impressionada com a experiência que ele havia adquirido ao longo dos anos.
Então John pensou: Puxa, não sou tão ruim assim. Consegui um novo trabalho. E por sinal um excelente trabalho e com grandes desafios e responsabilidades pela frente.
Ele refletiu sobre tudo que vivenciou naquele lugar e sobre o que precisaria mudar - todos nós precisamos mudar alguma coisa. Mas ele nunca deixou de fazer algo que lhe foi solicitado. Estava sempre disposto a ajudar, ainda que naquele local ele tenha passado por momentos tão ruins. John tinha feito amigos, conheceu pessoas que realmente valeram a pena e ele sentia por deixa-las para trás, mas sentia profundamente a necessidade de mudança. Ele levaria aqueles amigos feitos ali sempre no coração e na memória. Ele ainda sentia esperanças na humanidade.
E você deve estar se preguntando; o que me importa essa historia do John?
Eu quero deixar uma lição para você, meu caro leitor. Quero deixar registrado que, por mais que falem ou tentem te desestimular, não desista! Talvez você esteja vivendo uma situação ruim por estar no lugar errado e na hora errada, quem sabe com pessoas erradas, líderes que são chamados como tal e ninguém sabe o motivo. Talvez até no país errado. Nunca se sabe, não é?
Hoje o John está em uma nova empresa, em uma nova cidade e morando perto da praia, com uma nova vida. Ele não via luz qualquer durante o tempo de escuridão, mas estejamos confiantes que sempre se tem uma esperança, mesmo que não a vejamos de forma tão clara.

Desejo sucesso a todos e esperanças de boas notícias!!!

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